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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Para além da Química


Boa tarde!!!! Que tal o vosso Carnaval? Aqui em Portugal ele está bem chuvoso e frio... 
Trago-vos um novo texto da minha autoria! Chamei-lhe "Para além da Química". Espero que gostem!!


Não precisamos pensar mais no assunto... Não ia resultar... Tu não és do tipo duradouro e eu não sou do tipo provisório. Somos diferentes, apenas isso. Há química entre nós, por vezes a tensão é palpável, todos se apercebem, não podemos negar, mas isso não me chega.
Costumo pensar que se passar tantas vezes pela tua mente a dúvida de como seria se tentássemos como passa pela minha, talvez valesse a pena tentar, mas esses pensamentos morrem cada vez que surges com uma namorada diferente da que me apresentaste na semana anterior.
Amigos coloridos, propuseste-me uma vez, em tom de brincadeira numa das nossas muitas conversas, mas com exclusividade, acrescentaste, depois de veres a minha cara de indignação perante a tua ideia. Na minha mente eu pensei "Isso é o mesmo que ser namorada dele sem o chamar de namorado." Recusei, claro, mas tu sabias que eu o faria. Até hoje não percebi se me estavas a testar ou se realmente esperavas que eu aceitasse...

Pediste desculpa e justificaste a tua sugestão com o álcool que já tinhas ingerido, mesmo sabendo que isso nada tinha que ver com o que se tinha passado. Não tinhas bebido nem metade do que era costume, tu sabias disso e eu também. Pediste-me para esquecer, embora soubesses que esse momento nunca mais iria sair das nossas memórias, no fundo eras tu a admitir que esperavas algo mais para além da amizade.
Essa tua forma cobarde de ser chega a ser extremamente frustrante, mas é assim mesmo que és e não espero que mudes por mim... Esperava, sim, que mudasses por ti, e encontrasses em mim um futuro nessa mudança. Parece que simplesmente não estava destinado.
Desculpa se te faz mal o facto de eu ter decidido afastar-me de ti, mas a mim faz-me mal continuar por perto. O problema é que gosto demasiado de ti para te encontrar e te ignorar, mas, acima de tudo, gosto muito de mim para não me permitir a ter uma outra oportunidade para além de ti.

Desejo-te o melhor que a vida te pode oferecer. Fico triste por ela não te oferecer um futuro comigo, mas isso é o que ela é, a vida. Todos temos o nosso caminho a seguir, o nosso destino, e parece que o meu não se volta a cruzar com o teu... Tenta ser feliz porque eu vou tentar muito sê-lo também.

Espero que tenham gostado!!!

(imagens retiradas do motor de busca)

domingo, 15 de novembro de 2015

Pousada de leitura


Olá a todos!! 

Como estão todos? Com saudades das Pousadas? Sim?! Ainda bem! Porque hoje trago-vos mais uma!

A pousada de hoje é o carro! Então e eu também leio no carro? Bom, na verdade eu leio em qualquer sítio, por isso o carro não é excepção!! :D

Bem, as minhas leituras no carro ocorriam mais no período em que eu ainda tinha aulas, agora que o meu curso acabou não são tão frequentes. Aproveitava sempre as deslocações entre a minha casa e a faculdade para rever os pontos mais importantes das matérias ou para ver aqueles que não estavam tão consolidados… 

Mas nem só de apontamentos se fazem as leituras no carro. Por vezes estou tão embrenhada numa história que a possibilidade de passar algum tempo sem saber o que se vai passar no capítulo seguinte deixa-me completamente frustrada, então se eu tenho de sair levo comigo o livro, debaixo do braço bem aconchegado!

Frequentemente vejo-me em situações em que tenho de aguardar por alguém, fechada dentro do carro, porque normalmente pedem a minha companhia. Quando isso acontece, não encontro nada melhor para fazer do que desfolhar o capítulo que estou mortinha por ler.


Bom, e aqui está mais uma pousada de leitura! Espero que tenham gostado! Deixem nos comentários as vossas experiências de leitura no carro! Bijus! 

(link de onde foi retirada a imagem aqui)

sábado, 7 de novembro de 2015

Sim, é um adeus...

Olá a todos! Boa noite!!

Hoje resolvi trazer-vos um pouco do meu trabalho. Este é um texto da minha autoria e espero que todos gostem! 


"Querido Senhor do meu Coração quebrado,


Sim, é isso mesmo. Não me enganei na morada. É mesmo para ti. És mesmo tu.
Talvez achasses estranho receber uma carta de qualquer outra pessoa, mas não de mim. Conheces-me bem o suficiente para saber que o convencional não é comigo. Podia ter dito o que tenho a dizer por SMS ou por mensagem no Messenger, mas não seria a mesma coisa, pois não?

Escolhi escrever uma carta porque me pareceu que tornava tudo mais pessoal e tu sabes como eu adoro tornar tudo pessoal. Mas não é sobre isso que que quero falar-te, não…

Escrevo-te para te dizer que me vou embora. Sim, é verdade, vou… Embora seja apenas mais uma metáfora na vida, apenas verdadeira para ti…

Não vou realmente, não sou capaz de deixar tudo para trás, pelo menos por agora. Não sei o que o futuro me reserva…

Eu vou embora, sim, mas da tua vida. Espero que saibas que não o digo de ânimo leve. De facto, tem sido mais difícil do que eu imaginava escrever estas palavras. 

Deves estar a perguntar-te “Porquê agora?” Para essa pergunta apenas consigo responder: porque não? 
Tens de concordar comigo que já são alguns anos na incerteza… Incerteza de te ter aqui, incerteza de não ter… Ora vens, ora vais… É o que tens feito sempre a teu bel-prazer… Sei que não é por maldade, imagino que seja por medo de te deixares levar e já não quereres sair. Imaginas que isso seria contra a tua alma livre, mas tenho de ser sincera contigo, só demonstra covardia… É irónico como o teu desespero em mostrar a tua força só te faz parecer mais fraco aos meus olhos… 

Porque me vou? Pensei dizer-te que era por já não me importar que fosses e não mais viesses, mas isso seria cruel, e uma mentira. Vou-me porque imagino que só longe conseguirei as forças que preciso para ser capaz de afastar-te dos meus sonhos e pensamentos. Certamente que conheces o ditado popular “O que os olhos não veem o coração não sente.” Acho que coloquei todas as minhas esperanças na hipotética veracidade destas palavras e na, mesmo que mínima, chance de te ultrapassar…

Reparaste que não disse esquecer. Foi de propósito, como aliás qualquer uma das minhas outras palavras. Não te quero esquecer… Fizeste-me bem, mas ultimamente esse bem só me tem deixado mal e não quero isso. Não quero que tudo o que venha à minha cabeça quando penso em ti seja mágoa e ressentimento. O que tivemos foi bonito e eu quero que permaneça assim.

Não te preocupes em saber para onde vou, sei que vais tentar descobrir, afinal sempre que me afasto teimas em puxar-me de volta, mas desta vez não vai ser assim. Preciso de distância, o meu coração precisa de reabilitação, a minha alma precisa de paz, só assim serei capaz de amar novamente. 
Não penses que te afasto para te conseguir substituir. Isso não seria verdade. Apenas preciso de sentar e lamber as feridas…

Sim, é um adeus… Peço-te, no entanto, que não me julgues por escolher este momento em que estamos longe um do outro para te escrever. Se assim não fosse eu estaria presa ao inebriante e enganador enredo que tecemos em torno de nós mesmos e do que aparentemente temos e nunca teria a coragem de tomar uma decisão.

Não me odeies por ter sido a primeira a ter a coragem de me afastar. O tempo mostrar-te-á que é o melhor. E se não for? Bom, se ambos chegarmos a essa conclusão, nesse momento, e se ele chegar, acho nada nos impedirá de ficar juntos…



Com todo o carinho,
A Mulher com o Coração quebrado."

Filipa Marques

Espero que tenham gostado! :) Deixem as vossas opiniões nos comentários! ;)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ela - Um Conto de Dan Mendes










Ei, cidadãos do mundo, como estão?
Vim trazer para vocês hoje um conto super legal de um amigo meu. Ele é um autor muito bom, mas ainda não reconhecido.
Queria apresentar a vocês um dos muitos contos que ele escreve. Espero que gostem.





             Ela

Dia 13/10/15 – 8:00 AM

– Muito bem, parabéns pela hipocrisia! – O sorriso sarcástico enfeitava o rosto de ponta a ponta.

– De nada, amor. Tenha um ótimo dia! – Ele disse, furioso, enquanto batia a porta.


Dia 13/10/15 – 20:00 PM

Respirava com dificuldade enquanto esfregava os dedos em sinal claro de preocupação. Tinha lavado os cabelos para quando ele chegasse, com esperança de que, se a visse bela, talvez lembrasse de que ainda eram casados.

Ouviu o carro chegando. O portão da garagem rangendo ao ser aberto e o cachorro latindo para o dono.

– Cuidado, Bob. Olha... Olha a minha calça! Mas que merda!

Talvez tivesse sido mais esperta se houvesse prendido o cachorro.

Ouviu a porta abrindo.

– Já falei que não é pra você entrar! Fica! Senta! Ah, dane-se...

Bob passou por ela correndo e deitou perto da porta dos fundos.

– Oi. Boa noite – Disse ela sorrindo.

– Boa noite – Resposta automática – Você fez janta?

– Claro, fiz pra você.

Ele riu.

– Tá bom então...

Silencio constrangedor.

– Você não precisa me tratar assim – Ela disse enquanto passava as mãos nos cabelos e olhava para a sandália no canto do sofá – Eu...

– Você já esqueceu do que fez?! – Ele disse, interrompendo-a.

– Mas.... Você disse que tinha perdoado.

– E eu perdoei!

Olhou pra ela com olhos esbugalhados e uma clara sensação de poder entre os dedos fechados em punho.

– Quem perdoa esquece – Ela disse, entredentes...

– O que disse?

Desafiador.

– Nada.


Dia 13/10/15 – 21:00 PM

Ele estava lambuzando-se.

Puxões de cabelo não doíam tanto quanto os furos feitos na sua alma.

Tinha o prazer somente pra si. Pouco se importava com o contexto à sua volta.

Chorava escondida enquanto era pressionada contra a cabeceira da cama.

Ejaculou e a jogou de lado. Não demorou a dormir.

Respirou e tentou levantar para limpar-se, mas descobriu ser uma tarefa impossível. Suas pernas não respondiam. Não pegou no sono a noite inteira.


Dia 14/10/15 – 12:00 PM

– Eu não sei o que deu nela pra vir até aqui! Mas isso não é assunto seu! Nós somos um casal feliz! Eu nunca relei um dedo nela sequer! Você não vai estragar o nosso casamento! – Disse ele ao psicólogo.

– Sua esposa veio porque está com medo, senhor... E eu estou começando a entender o medo dela, sinceramente...

– Sinceramente... Ela não estava autorizada a vir falar contigo! – Ele olhou fundo nos olhos do psicólogo e segurou-se para não agredi-lo na frente de todas as pessoas da recepção – Olha, se eu não tivesse colocado um rastreador no carro dela, quem me garantiria que você não estaria enchendo a cabeça dela com “bobagens de psicólogo” e colocando ela contra mim!?

– Ah, então foi assim... Você acha certo rastrear o carro da sua esposa?

– Eu acho certo o que eu achar certo! Você disse bem, MINHA ESPOSA, e eu faço com ela o que quiser!

Foi o que o psicólogo precisava ouvir.


Dia 14/10/15 – 13:30 PM

– Vagabunda! Qual o seu problema? – Ele estava claramente alterado – Nos só brigamos e você correu pro merda do psicólogo?!

Ela estava sem palavras.

– Não sabe o que dizer né? Mas parecia estar bem lúcida quando me xingou anteontem não é?

“Ele disse que tinha perdoado”.

– Você não presta! Eu sabia, eu sabia...

– Eu não...

– Cala a boca!

Ouviu-se um estrondo de tapa e a face branca dela ganhou contornos vermelhos.

– Nunca mais me interrompa! Vagabunda!

Ouviu a porta da frente bater e o carro arrancar pela garagem. Bob estava latindo furiosamente. Provavelmente ele não fechou o portão.


Dia 15/10/15 – 3:00 AM

“Ele chegou”.

Ela tinha acabado de beber um copo d’água e deixa-lo no criado-mudo quando ouviu o barulho do carro. Apressou-se a virar para o lado e fingir que dormia.

Ouviu a porta abrindo.

Nenhum ruído.

Tropeçou no degrau que levava à copa. Bebeu mais um gole da vodca que guardava no bolso e se dirigiu ao quarto.

Ela estava dormindo. Acendeu a luz.

– Tá na hora de acordar!

O sangue dela gelou feito neve. Olhou para frente com olhos lacrimejantes.

Ele tirava o cinto. Estalou-o na cama.

Deitou por cima dela.

Sentiu o cheiro de álcool.

Arrancou a calça dela com violência. Apertou o pescoço dela e a penetrou com força.

Não conseguia respirar. Tentava se agarrar à cabeceira.

Estava ofegante. Ouvia o ranger da cama e sentia os movimentos desesperados da esposa.

Ela passou a mão por toda a cabeceira e chegou no criado-mudo. Quebrou o copo. Pegou um caco e perfurou o pescoço do marido. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Ele estava deitado com o sangue escorrendo de seu pescoço enquanto era rasgado diversas vezes pelo resto de copo que o matara.


Dia 15/10/15 – 4:00 AM

Ela tremia com uma caneca de café fresco nas mãos. A polícia já havia feito-lhe várias perguntas, mas ela não respondera nenhuma.

– Nós vamos leva-la para um hospital – Ouviu um outro homem de capa branca dizer.

Viu o rastro de sangue no chão que tinha deixado para chegar ao telefone.

191.

Agora que haviam chegado ela decidiu que talvez fosse melhor não ter ligado e sim devorado o corpo enquanto ainda estava fresco.

Passaram novamente em frente o quarto do casal. Tinham dois homens com luvas fotografando o corpo exposto do seu ex-marido.

Eu sou viúva – Ela pensou e deu um sorriso.


Dia 15/10/15 – 9:00 AM

Ela tinha acabado de acordar.

O rosto do seu psicólogo foi a primeira coisa que viu.

– Tudo bem, tudo bem... Descanse...

– Você gravou?

– Sim...

Ela sorriu.

– Como se sente?

– Feliz... Estou viúva, sabia?

– Sabia. E não vai ser presa, não se preocupe – Lhe deu um beijo terno na testa e olhou pra trás de relance. Estavam sozinhos – A não ser que queria ser presa por mim...

Ela mordeu os lábios de satisfação enquanto ouviu a porta sendo aberta.

– Meu nome é Ronaldo, sou detetive e gostaria de fazer algumas perguntas para a senhorita...

– Claro, tudo bem – Respondeu o psicólogo.

Ela fechou a cara em dor e prometeu dizer a verdade... Nada mais que a verdade.

 Dan Mendes

Se você quiser conhecer outros trabalhos do autor, siga o perfil dele no Scribe Dan Mendes
Volto logo com mais novidades deste lado do oceano. Bjinhus!!