Ei, cidadãos do mundo, como estão?
Vim trazer para vocês hoje um conto super legal de um amigo meu. Ele é um autor muito bom, mas ainda não reconhecido.
Queria apresentar a vocês um dos muitos contos que ele escreve. Espero que gostem.
Ela
Dia 13/10/15 – 8:00 AM
– Muito bem, parabéns pela hipocrisia! – O sorriso sarcástico enfeitava o rosto de ponta a ponta.
– De nada, amor. Tenha um ótimo dia! – Ele disse, furioso, enquanto batia a porta.
Dia 13/10/15 – 20:00 PM
Respirava com dificuldade enquanto esfregava os dedos em sinal claro de preocupação. Tinha lavado os cabelos para quando ele chegasse, com esperança de que, se a visse bela, talvez lembrasse de que ainda eram casados.
Ouviu o carro chegando. O portão da garagem rangendo ao ser aberto e o cachorro latindo para o dono.
– Cuidado, Bob. Olha... Olha a minha calça! Mas que merda!
Talvez tivesse sido mais esperta se houvesse prendido o cachorro.
Ouviu a porta abrindo.
– Já falei que não é pra você entrar! Fica! Senta! Ah, dane-se...
Bob passou por ela correndo e deitou perto da porta dos fundos.
– Oi. Boa noite – Disse ela sorrindo.
– Boa noite – Resposta automática – Você fez janta?
– Claro, fiz pra você.
Ele riu.
– Tá bom então...
Silencio constrangedor.
– Você não precisa me tratar assim – Ela disse enquanto passava as mãos nos cabelos e olhava para a sandália no canto do sofá – Eu...
– Você já esqueceu do que fez?! – Ele disse, interrompendo-a.
– Mas.... Você disse que tinha perdoado.
– E eu perdoei!
Olhou pra ela com olhos esbugalhados e uma clara sensação de poder entre os dedos fechados em punho.
– Quem perdoa esquece – Ela disse, entredentes...
– O que disse?
Desafiador.
– Nada.
Dia 13/10/15 – 21:00 PM
Ele estava lambuzando-se.
Puxões de cabelo não doíam tanto quanto os furos feitos na sua alma.
Tinha o prazer somente pra si. Pouco se importava com o contexto à sua volta.
Chorava escondida enquanto era pressionada contra a cabeceira da cama.
Ejaculou e a jogou de lado. Não demorou a dormir.
Respirou e tentou levantar para limpar-se, mas descobriu ser uma tarefa impossível. Suas pernas não respondiam. Não pegou no sono a noite inteira.
Dia 14/10/15 – 12:00 PM
– Eu não sei o que deu nela pra vir até aqui! Mas isso não é assunto seu! Nós somos um casal feliz! Eu nunca relei um dedo nela sequer! Você não vai estragar o nosso casamento! – Disse ele ao psicólogo.
– Sua esposa veio porque está com medo, senhor... E eu estou começando a entender o medo dela, sinceramente...
– Sinceramente... Ela não estava autorizada a vir falar contigo! – Ele olhou fundo nos olhos do psicólogo e segurou-se para não agredi-lo na frente de todas as pessoas da recepção – Olha, se eu não tivesse colocado um rastreador no carro dela, quem me garantiria que você não estaria enchendo a cabeça dela com “bobagens de psicólogo” e colocando ela contra mim!?
– Ah, então foi assim... Você acha certo rastrear o carro da sua esposa?
– Eu acho certo o que eu achar certo! Você disse bem, MINHA ESPOSA, e eu faço com ela o que quiser!
Foi o que o psicólogo precisava ouvir.
Dia 14/10/15 – 13:30 PM
– Vagabunda! Qual o seu problema? – Ele estava claramente alterado – Nos só brigamos e você correu pro merda do psicólogo?!
Ela estava sem palavras.
– Não sabe o que dizer né? Mas parecia estar bem lúcida quando me xingou anteontem não é?
“Ele disse que tinha perdoado”.
– Você não presta! Eu sabia, eu sabia...
– Eu não...
– Cala a boca!
Ouviu-se um estrondo de tapa e a face branca dela ganhou contornos vermelhos.
– Nunca mais me interrompa! Vagabunda!
Ouviu a porta da frente bater e o carro arrancar pela garagem. Bob estava latindo furiosamente. Provavelmente ele não fechou o portão.
Dia 15/10/15 – 3:00 AM
“Ele chegou”.
Ela tinha acabado de beber um copo d’água e deixa-lo no criado-mudo quando ouviu o barulho do carro. Apressou-se a virar para o lado e fingir que dormia.
Ouviu a porta abrindo.
Nenhum ruído.
Tropeçou no degrau que levava à copa. Bebeu mais um gole da vodca que guardava no bolso e se dirigiu ao quarto.
Ela estava dormindo. Acendeu a luz.
– Tá na hora de acordar!
O sangue dela gelou feito neve. Olhou para frente com olhos lacrimejantes.
Ele tirava o cinto. Estalou-o na cama.
Deitou por cima dela.
Sentiu o cheiro de álcool.
Arrancou a calça dela com violência. Apertou o pescoço dela e a penetrou com força.
Não conseguia respirar. Tentava se agarrar à cabeceira.
Estava ofegante. Ouvia o ranger da cama e sentia os movimentos desesperados da esposa.
Ela passou a mão por toda a cabeceira e chegou no criado-mudo. Quebrou o copo. Pegou um caco e perfurou o pescoço do marido. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Ele estava deitado com o sangue escorrendo de seu pescoço enquanto era rasgado diversas vezes pelo resto de copo que o matara.
Dia 15/10/15 – 4:00 AM
Ela tremia com uma caneca de café fresco nas mãos. A polícia já havia feito-lhe várias perguntas, mas ela não respondera nenhuma.
– Nós vamos leva-la para um hospital – Ouviu um outro homem de capa branca dizer.
Viu o rastro de sangue no chão que tinha deixado para chegar ao telefone.
191.
Agora que haviam chegado ela decidiu que talvez fosse melhor não ter ligado e sim devorado o corpo enquanto ainda estava fresco.
Passaram novamente em frente o quarto do casal. Tinham dois homens com luvas fotografando o corpo exposto do seu ex-marido.
Eu sou viúva – Ela pensou e deu um sorriso.
Dia 15/10/15 – 9:00 AM
Ela tinha acabado de acordar.
O rosto do seu psicólogo foi a primeira coisa que viu.
– Tudo bem, tudo bem... Descanse...
– Você gravou?
– Sim...
Ela sorriu.
– Como se sente?
– Feliz... Estou viúva, sabia?
– Sabia. E não vai ser presa, não se preocupe – Lhe deu um beijo terno na testa e olhou pra trás de relance. Estavam sozinhos – A não ser que queria ser presa por mim...
Ela mordeu os lábios de satisfação enquanto ouviu a porta sendo aberta.
– Meu nome é Ronaldo, sou detetive e gostaria de fazer algumas perguntas para a senhorita...
– Claro, tudo bem – Respondeu o psicólogo.
Ela fechou a cara em dor e prometeu dizer a verdade... Nada mais que a verdade.
Dan Mendes
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Volto logo com mais novidades deste lado do oceano. Bjinhus!!




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